Vem pra festa você também, Vem!

Talvez, no futuro, eu me arrependa de alguns ideais com os quais viva, mas hoje digo que antes de figurar no clã dos talentosos, um profissional deve pertencer à classe dos incorruptíveis, dos corretos, dos não gananciosos e não “seduzíveis” pelo enriquecimento fácil. Conduzir a vida sob a orientação de valores morais sólidos, eu concordo, não é simples, até porque a sociedade o empurra à direção oposta. Mas é só assim que as coisas realmente tem valor para mim. Sem citar nomes e julgar condutas, intriga-me, na propaganda mineira, o fato de uma boa rede de contatos ser mais relevante que competência e talento, sobretudo no acesso a contas públicas, em que o cidadão é, simultaneamente, cliente e mercado.

Quase nenhuma grande agência mineira tem sua carteira de clientes livre das contas públicas, para não dizer que sobrevivem às custas delas, resultado, na maioria das vezes, de bons (será?) relacionamentos. E pior, sem investigação, sem controle, sem a supervisão atenta dos responsáveis por zelar por uma conduta transparente e ética. Desafio as grandes agências sobreviverem sem as tais, contas que, por sua vez, são pouco representativas se confrontadas com os grandes clientes, detentores de volumosos investimento e objetivos mercadológicos audaciosos, que correm daqui, nos deixando à margem dos grandes anunciantes. Talvez esteja ai o motivo da fuga dos grandes clientes para outros centros porque, cá entre nós, você apostaria o futuro de sua empresa em profissionais que afirmam sua competência por meio de contatos e atuações duvidosas? Eu não.

Eu, remando contra a maré, defendo a não publicidade e propaganda pública, porque governo não precisa divulgar, precisa fazer. E fazer bem feito. Investimentos públicos em marketing devem ser convertidos em melhorias na saúde, educação e infra-estrutura. Como cidadão, uma cidade livre de buracos me comovem mais que belos jingles. O acesso simplificado à saúde pública de qualidade é mais interessante que criatividade no horário nobre. Defendo, ainda, que comunicação pública, se houver, deve ser comunicação pública de fato, proveniente do centro estratégico do governo e não da rede de amigos de gestores. Profissionais deveriam ser contratados mediante concursos e com legislação e normatizações adequadas. A imagem supervalorizada das ações públicas, criadas a partir da iniciativa privada, faz nascer profissionais não críticos e despreocupados com o todo, que desacreditam naquilo que fazem vender, sendo, então cúmplices, muitas vezes, de ilegalidades e mentiras.

Eu não quero ser assim, eu defendo uma sociedade justa e de livre-concorrência, cujo o crescimento das empresas deve ser a soma de boa gestão e talento e não produto de amizades, recheada de interesses ocultos, e contratos públicos suspeitos.

2 Responses to “Vem pra festa você também, Vem!”

  1. Estúdio 11. says:

    falta uma certa transgressão…. nós enquanto estudantes de arquitetura e urbanismo, vc’s enquanto publicitários [todos mineiros, urrra,rs]. essa distorção na profissão, esse desencontro nas artes [...] Tudo é muito confortável. As coisas nao acionam mais o nosso corpo.

  2. projetos arquitetura says:

    projetos arquitetura…

    Muito bom este artigo…

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