Surge 1 igreja nova a cada 2 dias em SP. Mesmo em tempos de crise.

Criativos leitores, vocês conseguem explicar o vento? Não?

Ok, não o critico pela instintiva preservação de seus neurônios e o excessivo zelo em não forçá-los a responder esse desestimulante questionamento. A pergunta, que beira o ridículo e desqualifica o título de país em desenvolvimento, foi dita por uma mulher, religiosa de um templo por ela mesmo construído em região pobre de São Paulo, quando indagada sobre os fatores que a motivaram a fundar uma igreja nos fundos de sua residência. Peço, criativos leitores, que abstenham-se da avaliação do português pouco apurado e da falta de cultura tão evidente na brasileira e pense no impacto caso o número de uma igreja diferente aberta a cada dois dias, fizesse referência ao número de novas escolas. Indiscutivelmente o debate sobre as carências práticas do povo seriam revistas. Cidadania, educação, cultura ou livre concorrência na oferta de fé? Queremos um país de povo digno e pensante ou um rebanho de manipulados?

Não aprofundo no cerne conceitual que orienta a sua ou a minha fé, até porque o estado confere liberdade total de crença a quem quer que seja e, ainda que crente na idéia de que em um país desenvolvido a fé subexiste na amplitude cultural da sociedade, não admito a intolerância e o desrespeito. Mas não me cego. Observo falhas graves na nação onde faltam empregos e sobram templos, onde pede-se ajuda divina na formação de professores competetentes e multiplicam-se pastores populistas. Honestamente não me felicita a condição de cidadão do país mais religioso do mundo. Abdicaria do “prêmio” caso pudesse viver naquele com maior número de alfabetizados, com o menor índice de violência e o de mais igualitária distribuição de renda.

Sob nenhum argumento desprestigio qualquer fé, entretanto reitero a minha vontade em ver nascer um país de pensadores e, intuitivamente acredito, que religião e desenvolvimento andam em direções opostas.

Abs;

4 Responses to “Surge 1 igreja nova a cada 2 dias em SP. Mesmo em tempos de crise.”

  1. Flávio Santos says:

    “Religião e desenvolvimento andam em direções opostas” Isso só mostra o pensamento pouco qualificado e de cunho preconceituoso do escritor deste texto. Pensemos assim: se você sonha em viver em um país de pensadores, como você poderia escrever tanta besteira como neste tópico? Por acaso gostaria de ser “o bobo da corte na monarquia dos pensadores”? Ou será que não sabe que os países mais desenvolvidos do mundo também são os que ostentam o maior número de igrejas e templos religiosos??
    A questão implicita neste texto é: você não tem fé e duvida das pessoas que tem, julgando-as como debéis mentais. Aí eu me pergunto: Como uma nação de “pensadores” pode viver com pessoas que se julgam mais inteligentes que a outra? Aí voce me responde no próximo post… Abraços!

  2. Juliana says:

    Sob nenhum argumento desprestigio qualquer fé, entretanto reitero a minha vontade em ver nascer um país de pensadores [2]
    Concordo muito com o que vc disse nessa frase, e confesso que você argumenta muito bem. Só não concordo com o restante da frase, acho que sim que num país onde há religião possa haver desenvolvimento.
    Gostaria de ver sua opinião no meu blog
    http://jdinfinito.blogspot.com/

  3. Karoline says:

    O problema não são as igrejas que surgem a cada esquina ou a fé das pessoas. Acho até muito mais válida uma igreja que casa homossexuais numa pequena comunidade, sem muitas pretensões do que uma IURD que fica extorquindo a grana dos fieis. Já ouvi falar de igrejas desse tipo que funcionam muito bem e fazem, dentro de suas possibilidades, um bom trabalho dentro da comunidade em que vivem.
    Idiotas são os fanáticos, que acham que fé resolve todos os problemas. Não é religião que anda pro lado oposto ao do desenvolvimento, mas esse maldito fanatismo cego. Mas cada um é cada um. Ter fé faz bem e se essas pessoas se tornarem melhores por causa de uma Igreja da Esquina de Deus, ta OK. Muita gente já largou bebida, drogas e outros vícios por causa da igreja.
    Pense que essas pessoas não têm o mesmo acesso a boa educação como você, talvez elas não saibam outro jeito de melhorar a comunidade. E aqui entre nós, em lugar nenhum no mundo é possível abrir uma escola com a mesma facilidade de abrir uma igrejinha de fundo de quintal. Essas pessoas não têm condições de abrir uma escola e quem tem, não ta interessado. Não acho que seja uma comparação plausível.
    Acho absurdas essas igrejas? Acho. Mas funciona pra essas pessoas, não somos ninguém pra julgar.

  4. diego says:

    Flavio, boa tarde.
    Antes e acima de tudo, agradeço a atenção e a disponibilidade em ler o que penso.

    Entretanto:
    1. Avaliou todo meu pensamento em função da última frase do texto. Ainda sim, esquivou-se de incluir em seu raciocínio o termo “intuitivamente”, que ratifica a ausência de valor científico ao que eu disse. É só minha opinião. Além disso, peço gentilmente que releia o segundo paragrafo antes de concluir todo meu pensamento sustentado exclusivamente no final do texto.

    2. Sonho em viver no país de pensadores sim, um lugar onde o que acredito seja respeitado e entendido sem agressões, sem o uso inadvertido de frases minhas fora do contexto. Não me julgo mais inteligente que ninguém porque de fato não sou e intriga-me saber em que parte observou um auto julgamento positivo da minha capacidade. Esse é um espaço para expor o que penso. Se não concorda, ótimo. Eu gosto é do debate, da reflexão. Valorizo muito o que pensa.

    3. Eu tenho fé. Muita. E não questiono a sua e nem a de ninguém. Como disse no texto, se o estado confere liberdade de crença, porque eu iria me opor. A minha análise concentra-se na comparação simples entre a relevância exercida pela religião em comparação ao valor que o estado imputa sobre a educação.

    4. Não seria idiota em afirmar que a religião é professada apenas por ignorantes, muito pelo contrário, disse apenas que gostaria de ver meu país tão religioso, quanto menos violento e mais igualitário.

    5. Por fim, no Brasil, quando analiso, concomitantemente, o IDH, o número de igrejas, os índices educacionais, o número de pastores e o número de cidadãos pensantes, concluo que a evolução política e social AQUI não acompanhou as transformações religiosas.

    Abs.

Comente sobre este Post