O tesão ainda é maior que a decepção! Eu acho que é.

Que o mundo da comunicação não são 40 sexies virgens sensualmente saracoteando os quadris perto de mim, pouco depois de presenciar meu time vencer o maior rival aos 45 do segundo tempo e no exato momento em que acabo de descobrir que ganhei, sozinho, 70 milhões na mega-sena, eu já sabia. Mas, convenhamos, eu não refleti sobre a possibilidade de caminhar em brasas com gasolina nos pés, ou de desfrutar do prazer sobrenatural de usar coroa de espinhos e tão pouco experenciar situações tão agradáveis quanto, se turista no Iraque, um desavisado utilizar camisetas “Eu amo George Bush”. Com certeza, as imperfeições inerentes à vida de qualquer pessoa explicaria alguns jobs pouco interessantes, mas, em muitos momentos, penso que nem Pinochet é merecedor dos infortúnios da vida publicitária, ou melhor, da subversão dela.

Ratifico, dia-a-dia, a crença na imortalidade da alma, porque só mesmo um histórico muito pecaminoso em vidas passadas justificariam os “chutes no saco” das opiniões inimagináveis que nos invadem por todos os lados. Somente a reencarnação tem lógica que ampare o parentesco próximo que alguns clientes tem com Hitler e que muitos telefonemas sejam prenúncios de condenação ao mergulho nu e de olhos abertos no Tietê. Entre ironias e hiperboles, o assunto é sério embora não se apresente. O desabafo resulta das decepções e suspresas decorrentes de uma constatação: estamos imersos na comunicação sem foco, intuitiva e roteirizada. Sim, você pode não acreditar, mas é a mais límpida de todas as verdades. É inexplicável como se produz, e pior, como se multiplicam, merdas ineficazes, sem as fibras da criatividade e construídas no intestino do lugar comum.

Eu pensaria, se não sobrevivente às relações que critico, ser impossível crer que, em um mundo prestes a interconexão total, da interação em rede, da multilateralidade e flexibilidade, ainda coexistam comunicadores Mães Dinah (Eu sei que vai dar certo porque eu sinto que vai) e Poderoso Chefão (Faz que porque eu estou mandando, capice!). A verdade é que o cotidiano tortura, para não dizer assassina, o tesão de fazer da comunicação instrumento do mundo que ela própria anuncia, melhor e mais justo. A libido que a propaganda devolve aos que a amam ainda é capaz de excitar sem viagra, embora a não iquidade de poderes entre os “parceiros” (clientes pagam, nós fazemos) e a cultura do não ouvir, sejam capazes de brochar qualquer ereção criativa.

Questionar os comunicólogos em seus estômagos, contestando o amentoado infecundo de sugestões (imposições) que vomitam é papel de quem ainda acredita que fazer a coisa certa sobrepuja as desilusões da relações. Permitir a ação cruel do futuro sobre os clientes e depois sorrir ardilosamente, pensando eu avisei como faz um cônjuge traído, não é papel dos amantes da comunicação. Não é o meu.  O tesão publicitário perpassa na preeliminar do “fazer a coisa certa”, e não do gozar por gozar, sendo a transa, realmente válida, intensa e inesquecível, quando todo o prazer da relação for comportilhado.

Até;

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